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Lúpus – O que é, Causas e Sintomas

O Lúpus caracteriza-se por uma doença auto-imune que através do sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do corpo. Esse ataque provoca sintomas de inchaço e inflamação, causando danos nas articulações, nos rins, na pele, no sangue nos pulmões e no coração.

Os chamados anti-corpos que são proteínas produzidas pelo nosso sistema imunológico, atuam com o propósito de proteger e lutar contra os antígenos como sejam os invasores, virús e as bactérias.

Esta doença auto-imune incapacita o sistema imunológico de conseguir distinguir os antígenos (é toda substância estranha ao organismo que desencadeia a produção de anticorpos) e o tecido saudável.

Assim o sistema imunológico ataca através dos anticorpos o tecido saudável, causando inflamação, dor e inchaço, e igualmente danos a nível tecidual.

O corpo ataca-se a si mesmo, podendo o Lúpus afetar qualquer parte do corpo, em virtude de este produzir alterações clínicas que irão afetar as nossas articulações, a pele, os vasos sanguíneos, o cérebro, os rins, os pulmões e outros orgãos internos.

Tipos de Lúpus

Existem vários tipos que caracterizam esta doença, mas o que referimos aqui é o tipo mais conhecido como Lúpus eritematoso sistêmico ou LES. Outros tipos desta doença são o discóide (cutâneo), induzido por drogas e o neonatal.

1# Lupus Discóide

Este tipo de Lúpus é uma versão que visa unicamente a pele. Caracteriza-se por uma erupção cutânea que aparece normalmente no rosto, no pescoço e no couro cabeludo e não tem qualquer outro efeito nos restantes orgãos internos.

O valor percentual destes pacientes não atinge os 10%, e os doentes com lúpus discóide, acabam por evoluir para a forma sistêmica da doença. Não há como conseguir prever ou prevenir o evoluir da doença.

2# Lúpus LES

No entanto, O LES como pode afetar qualquer orgão ou sistema orgânico do nosso corpo é bastante mais gravoso que o lúpus discóide.

O quadro clínico que apresentam certas pessoas, caracteriza-se por inflamção ou outros problemas com a pele e as articulações, enquanto que os doentes com a LES  outros orgãos vitais são abrangidos, como sejam o coração, o cérebro, os pulmões os rins, o sangue, serão os principais afetados.

Este tipo de Lúpus alterna com períodos de flare (quando a doença está ativa) e períodos de remissão (quando se  encontra adormecida).

3# Lupus Induzido por Drogas

O lúpus induzido por drogas é causado por uma reação com certos medicamentos prescritos e causa sintomas muito semelhantes aos do LES.

As drogas mais comumente associadas a essa forma são uma medicação para hipertensão chamada hidralazina e uma medicação para arritmia cardíaca chamada procainamida, mas existem cerca de 400 outras drogas que também podem causar a doença.

Sabe-se que o lúpus induzido por drogas diminui após o paciente parar de tomar o medicamento desencadeante.

4# Lúpus Neonatal

Outra condição rara, o Lúous Neonatal,  aparece normalmente quando a mãe passa os seus anti-corpos para o feto.

Estes anticorpos podem induzir no feto e no recém-nascido, erupções cutâneas e várias outras complicações nos orgãos vitais como no coração e no sangue.

Estas erupções aparecem mas acabam por desaparecer nos seis meses após o nascimento da criança.

Lúpus – o que é?

O sistema imunológico atua para proteger e combater os invasores, os vírus, as bactérias e os germes, produzindo proteínas (os anticorpos) que são fabricados pelas células brancas do nosso sangue – Os Linfócitos B – .

Com esta doença, a resposta do sistema imunológico é deficiente porque não consegue distinguir entre inimigos invasores e o tecido saudável do corpo.

Os anti-corpos que supostamente deveriam combater os invasores, são produzidos para atacar e combater as células e os tecidos saudáveis do nosso corpo.

Assim, a função dos anticorpos fica comprometida e passam a ter o nome de auto-anti-corpos, provocam a inflamção nas diversas partes do corpo e podem acusar danos nos tecidos e em orgãos vitais.  O corpo ataca e combate-se entre si).

Algumas células do nosso corpo têm paredes permeáveis o suficiente, pelo que os auto-anti-corpos que circulam no sangue, acabam por conseguir passar para dentro das células.

Estas podem então atacar o DNA no centro da célula (núcleo). Isto explica porque alguns orgãos podem ser atacados e outros não. Dependem da permeabilidade das paredes celulares.

É importante realçar que o Lúpus não é uma doença contagiosa.

O Lúpus caracteriza-se por uma doença que intervala entre surtos e remissões, tão depressa está ativa como adormecida.

Os sintomas sentidos no estado crônico da doença, podem agravar-se, propiciando um mal estar no paciente, muito antes que este sinta uma melhora significativa dos sintomas.

Conhece o Lúpus?

Lúpus é uma condição clínica que a maioria das pessoas não conhece.

Com base nos resultados de uma pesquisa da Lupus Foundation of America , cerca de 72% dos americanos com idade entre 18 e 34 anos ou não ouviram falar da doença ou não sabem outra coisa senão o nome, apesar de esta faixa etária estar em maior risco para a doença.

Esta doença ganhou mais atenção do público em 2015 depois que a cantora Selena Gomez anunciou que tinha sido diagnosticada com a doença no final da adolescência e foi submetida a tratamento para a doença.

Como aparece o Lúpus? – Causas

Ao certo desconhece-se o que causa o Lúpus. Muitos dos especialistas acreditam que o Lúpus nasce e cresce em resposta a uma série de fatores externos e internos ao corpo humano, nos quais se incluem a genética, o meio ambiente e os hormônios.

1# Hormônios

Hormônios  – São substâncias químicas produzidas no corpo que controlam e regulam a atividade de certas células ou órgãos.

Nas mulheres a ocorrência de Lúpus é mais frequente pela  produção em maior quantidade do estrôgenio, embora o estrôgenio possa ser produzido tanto por homens como por mulheres.

O estrogênio é conhecido por ser um hormônio “imuno-estimulante”, o que significa que as mulheres têm um sistema imunológico mais forte que os homens.

Por essa razão, a incidência de doenças autoimunes é geralmente maior em mulheres do que em homens.

Pesquisas descobriram que as mulheres apresentam surtos de sintomas de lúpus pouco antes do período menstrual e durante a gravidez, quando a produção de estrogênio é superior ao normal.

Isso pode sugerir que o estrogênio poderia regular a gravidade do lúpus.

No entanto, nenhum efeito causal foi provado, e estudos incluindo mulheres tomando estrogênio na forma de pílulas anticoncepcionais ou como terapia pós-menopausa não mostraram aumento na atividade da doença.

2# Genética

Nenhum gene ou grupo de genes específico provou ser o causador deste problema de saúde. O lúpus é mais relevante entre algumas famílias e alguns genes foram identificados como contribuintes para o desenvolvimento do lúpus.

No entanto, essas associações genéticas isoladamente não são conclusivas para causar a doença, como destacam os gêmeos, onde apenas um dos gêmeos desenvolve o lúpus.

Gêmeos idênticos podem ser criados da mesma maneira, no mesmo ambiente e apresentam os mesmos atributos herdados, mas apenas um deles pode desenvolver lúpus.

Há uma chance de 25% de que um gêmeo idêntico possa desenvolver a doença e uma chance de 2-3% de gêmeos fraternos.

O risco de desenvolvimento de lúpus em irmãos de indivíduos com a doença é cerca de 20 vezes maior do que o da população em geral.

Embora existam ocorrências de lúpus em desenvolvimento em pessoas sem história familiar da doença, é provável que existam outras doenças autoimunes, como tireoidite, anemia hemolítica e púrpura trombocitopênica idiopática em alguns membros da família.

Grupos étnicos como pessoas de ascendência africana, asiática, hispânica, indígena, nativa havaiana ou das ilhas do Pacífico têm maior risco de desenvolver lúpus, o que pode estar relacionado a genes que eles têm em comum.

 3# Biomarcadores

Os biomarcadores são outra área significativa da pesquisa sobre lúpus . Os biomarcadores são definidos como moléculas que refletem um processo biológico ou patológico específico, uma consequência de um processo ou uma resposta a uma intervenção terapêutica.

Simplificando, eles podem permitir ao médico saber o que está acontecendo no corpo – ou prever o que vai acontecer – com base em algo mensurável de forma confiável em tecidos, células ou fluidos.

Pesquisadores identificaram os seguintes biomarcadores potenciais:

  • Anticorpos de DNA anti-fita dupla e complemento C3a – ambos podem ser encontrados em exames de sangue – como biomarcadores para flares;
  • Proteínas na urina de pessoas com doença renal causada por lúpus. Esses biomarcadores podem ser usados ​​para indicar o tipo e a gravidade da doença renal nesses pacientes, bem como a extensão do dano ao rim;
  • Proteína C-reativa (PCR), uma proteína produzida pelo fígado, que se correlaciona com a atividade da doença e fatores de risco de doença cardiovascular, e C4d, uma proteína no sangue que pode indicar atividade da doença lúpica ou envolvimento renal.

4#  Meio Ambiente

De acordo com a Lupus Foundation of America, os pesquisadores consideram que agentes ambientais, como produtos químicos ou vírus, podem contribuir para o desencadeamento de lúpus em indivíduos geneticamente propensos em contrair a doença.

Elementos ambientais que podem desencadear o lúpus incluem:

  1. Bronzeamento em solarios;
  2. Os raios ultravioleta das lâmpadas fluorescentes usadas no bronzeamento podem desencadear o lúpus;
  3. Raios ultravioletas do sol – UVB em particular;
  4. Raios ultravioletas de lâmpadas fluorescentes:
  5. Exposição ao pó de sílica em ambientes agrícolas ou industriais;
  6. Sulfa drogas, que tornam uma pessoa mais sensível ao sol: trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim e Septra); sulfisoxazol (Gantrisina); tolbutamida (Orinase); sulfassalazina (azulfidina); diuréticos;
  7. Drogas de tetraciclina sensibilizadoras do sol: minociclina (Minocina);
  8. Penicilina ou outros medicamentos antibióticos: amoxicilina (Amoxil); ampicilina (Ampicillin Sodium ADD-Vantage); Cloxacilina (Cloxapen);
  9. Infecções – incluindo os efeitos do vírus Epstein-Barr;
  10. Frio ou uma doença viral;
  11. Exaustão, fadiga;
  12. Estresse emocional, como divórcio, doença, morte na família ou outras complicações da vida;
  13. Qualquer outra coisa que cause estresse ao corpo, como cirurgia, dano físico, gravidez ou parto;
  14. Fumar cigarros ou drogas.

Atualmente não há cura para o lúpus . No entanto, o lúpus pode ser tratado de forma eficaz e a maioria das pessoas com a doença pode levar uma vida ativa e saudável.